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Má oclusão pode e deve ser corrigida antes dos seis anos de idade

A importância do tratamento ortodôntico ou ortopédico funcional precoce está na prevenção das alterações no encaixe da mordida e posicionamento dentário. Isto significa uma ação antes ou durante o problema para impedir que este se instale ou progrida. A prevenção consiste em influenciar e acompanhar o desenvolvimento da criança para que seja possível antecipar o aparecimento dos problemas oclusais (na mordida).

Ao atuar precocemente, ainda na dentição decídua (de leite), é possível evitar, além das alterações oclusais, desequilíbrios mastigatórios, atrofias de arcadas, problemas nas articulações têmporo-mandibulares, assimetrias faciais e alterações de desenvolvimento das estruturas da face e boca. Ao diagnosticar e tratar as possíveis alterações ainda nessa fase, muitas vezes, evita-se o aparecimento de problemas mais severos na dentição permanente simplificando ou até eliminando o uso de aparelhos ortodônticos no futuro. Além de diminuir, e muito, a necessidade de extrações de dentes permanentes, como pré-molares, por falta de espaço nas arcadas e de cirurgias ortognáticas, em que as discrepâncias esqueléticas são muito grandes e não se indica o tratamento convencional.

Inúmeros problemas podem ser prevenidos somente com algumas orientações do especialista, sendo elas:

  • Manter sempre uma boa respiração nasal, evitando resfriados e alergias respiratórias, buscando avaliação de médico otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo em casos de hábitos de respiração oral por má postura de língua ou flacidez da musculatura
  • Corrigir hábitos orais que prejudicam o bom desenvolvimento como uso de chupetas ou dedos
  • Manter a amamentação pelo seio materno o maior tempo possível
  • Evitar o uso prolongado de mamadeiras
  • Introduzir alimentos mais consistentes para a criança realizar os corretos movimentos mastigatórios da mandíbula, estimulando toda a musculatura, articulação e arcadas
  • Tratamento odontopediátrico periódico, para o tratamento de possíveis cáries, restaurações ou infecções.

Assim é possível evitar perdas dentárias precoce ou contatos dentários que prejudiquem o encaixe dos dentes ou movimentos da mandíbula. Aqui, vale também avaliar a correta erupção dos dentes de leite e/permanentes e analisar possíveis ausências de qualquer dente das arcadas dentárias.

Entenda a Ortopedia Funcional dos Maxilares

O tratamento ortopédico funcional pode ser realizado em crianças a partir dos 3 anos de idade, dependendo da alteração encontrada. É muito vantajoso que a intervenção seja feita antes dos 6 anos de idade, pois as respostas de tratamento são mais fáceis e mais rápidas devido à plasticidade dos tecidos moles e duros e pelo fato da crianças estar em pleno crescimento e desenvolvimento. Aos 6 anos de idade, 80% da face já esta formada. É possível assim, evitar que alterações ainda funcionais alterem o crescimento adequado e causem desvios no esqueleto da criança.

Esperar a criança trocar os dentes de leite pelos permanentes para buscar um profissional ou para iniciar um tratamento é um grande erro. Pois os problemas existentes, mesmo que leves, certamente se agravarão. Caso já exista um desvio ósseo, esse não se corrigirá sozinho e mesmo com as trocas dentárias, os defeitos dos ossos e músculos permanecem.

Problemas de oclusão que podem ser encontrados

Classe I: Esse tipo de problema é caracterizado por uma relação anteroposterior normal entre os molares superiores e inferiores. Esta situação pode, ou não, estar acompanhada por alterações esqueléticas nos planos verticais ou transversos ou por alterações dentárias, como dentes girados ou mal posicionados no arco.

Classe II: Casos em que a arcada inferior (mandíbula) está posicionada posteriormente à arcada superior (maxila), causando um overjet dentário acentuado (espaço entre incisivos superiores e inferiores). Normalmente está associada à retrognatia mandibular, falta de desenvolvimento antero-posterior da mandíbula.

Classe III: A arcada inferior se posiciona anteriormente à inferior, normalmente devido à falta de desenvolvimento da maxila, e pode estar associada ao prognatismo mandibular (excesso de desenvolvimento da mandíbula).

Mordida Aberta: Quando ocorre um espaço entre dentes superiores e inferiores no sentido vertical, e os dentes não conseguem cortar os alimentos. Crianças que chupam dedo ou chupeta muitas vezes apresentam mordida aberta.

Mordida Cruzada: Ocorre quando um ou mais dentes da arcada superior se encaixam por dentro dos dentes da arcada inferior, unilateral ou bilateralmente. Pode ocorrer por alterações nas proporções ou no posicionamento dos ossos, sendo assim de orígem esquelética ou por alterações na forma e/ou posicionamento dentário.

Mordida Profunda: Nos casos em que os dentes superiores recobrem os dentes inferiores de maneira excessiva, ocorrendo situações em que não se enxerga os dentes inferiores ou que estes chegam a tocar o céu da boca. A mordida profunda dificulta os movimentos mastigatórios e está muito associada a problemas articulares.

Apinhamento: Este é um dos problemas ortodônticos mais comuns, ocorrendo pelo mau posicionamento de um ou mais dentes por falta de espaço nas arcadas, o que popularmente chamamos de “dente torto”.

É importante ressaltar que na maioria das vezes, essas má-oclusões não têm relação com a estética do sorriso ou com “dentes tortos” e sim com a postura mandibular inadequada em relação à maxila, alterando toda a engrenagem da mordida ou com um tipo de crescimento inadequado dos maxilares (aqui podendo ser acompanhado por um correto alinhamento dentário na arcada.) Portanto, mesmo que os pais não observem nenhum problema, é importante levar as crianças para uma avaliação, o mais cedo possível, com um profissional especialista, que terá o conhecimento e as ferramentas para fazer esse diagnóstico.

Além dos problemas que podem acarretar os dentes e a mordida, existem também as alterações musculares como de postura de língua e/ou vedamento labial, que prejudicam a fala, deglutição, respiração, alterações nas articulações e até alteração de postura de cabeça, que podem estar todos relacionados entre si.

As possibilidades de tratamentos em dentes decíduos são:

Orientações mastigatórias: O profissional orienta o tipo de dieta e movimentos mandibulares adequados para que ocorra o estímulo necessário para o bom desenvolvimento dos maxilares e estruturas faciais. Muitas vezes pode estar ocorrendo um desvio da mandíbula devido a uma mastigação unilateral que a criança realiza, causando uma mordida cruzada e um crescimento assimétrico da face.

Pistas Diretas Planas: São alterações nos formatos dos dentes de leite com o acréscimo de resinas compostas, obtendo os contatos desejáveis entre dentes superiores e inferiores, usadas muito em casos de mordidas cruzadas e mordidas profundas

Ajustes Oclusais: Na remoção de interferências dentárias que podem estar ocorrendo entre dentes superiores e inferiores, causando uma alteração no encaixe das arcadas ou nos movimentos mandibulares.

Aparelhos Ortopédicos Funcionais: São aparelhos removíveis feitos com fios de aço e acrílico, se encaixam nas arcadas superior e inferior e atuam nos ossos, músculos, dentes e estruturas da face de maneira funcional e fisiológica. Exercem forças leves e passivas, sem causar dor, e através de estímulos neuromusculares reestabelecem a correta função orofacial com a remodelação das estruturas ósseas.

Esses tratamentos podem ser realizados em conjunto uns com os outros e podem ser beneficiados com tratamentos propostos por outros profissionais da saúde como médico otorrino, fonoaudilógos ou fisioterapeutas.

A amentação ajuda no posicionamento do maxilar e auxilia a respiração das crianças

Atualmente tem sido enfatizada a importância da amamentação, uma vez que o leite materno é o melhor alimento do ponto de vista nutricional e ótimo reforço ao sistema imunológico do bebê contra doenças infecciosas e alérgicas, aumentando o número de anticorpos e previne doenças respiratórias e gastrointestinais.

O aleitamento materno preenche também as necessidades emocionais do bebê, fortalecendo o vínculo mãe-filho, pois enquanto se alimenta no seio materno, o bebê passa por sensações que já eram percebidas no útero, como ouvir os batimentos cardíacos e respiração da mãe, o que proporciona calma, bem-estar e carinho materno, muito importante para o desenvolvimento emocional.

Outro fato importante é que a amamentação é fator decisivo e primordial para a correta maturação e crescimento dos ossos e músculos da face, mantendo essas estruturas aptas para um bom funcionamento e desenvolvimento de toda região facial e oral que guiará e estimulará todas as funções fisiológicas futuras.

Relação entre amamentação e dentição

Ao sugar o seio materno, a criança estabelece o padrão adequado de respiração nasal e postura correta da língua. Os músculos envolvidos estão adequadamente estimulados, aumentando o tônus e promovendo a postura correta para futuramente exercer a função de mastigação. Por este motivo, procura-se enfatizar a amamentação materna como uma forma de prevenção a problemas futuros da criança, por proporcionar o preparo e o aprimoramento da condição neuromuscular das estruturas bucais, ou seja, desde respiração, deglutição e fala, até funções mais complexas.

O crescimento e desenvolvimento do crânio e da face tem o objetivo de conseguir um estado de equilíbrio estrutural e funcional entre todos os músculos e ossos envolvidos. O bebê, quando nasce, tem a mandíbula pequena e retraída, o que é chamado de retrognatismo. A cavidade bucal é pequena e assim, a língua se posiciona mais para frente, apoiando-se sobre a gengiva. Junto com o movimento muscular da amamentação, ocorre o desenvolvimento ósseo e crescimento anterior da mandíbula, assim, o retrognatismo mandibular que os bebês apresentam ao nascer deve ser corrigido até a época da erupção dos primeiros dentes de leite para que sua oclusão possa ser correta.

A correta amamentação é, portanto, estímulo a todas as estruturas bucais, como lábios, língua, bochechas, ossos e músculos da face e visa ao preparo e aprimoramento da condição neuromuscular das estruturas bucais. A anatomia e a função se desenvolvem com a amamentação e se aprimoram com a mastigação, deglutição, respiração e fonoarticulação. O aleitamento natural é portanto uma forte ferramenta para prevenção de problemas oclusais, como arcadas dentárias estreitas, falta de espaço para os dentes, má relação entre arcos superior e inferior, postura incorreta da mandíbula etc.

Amamentar é um verdadeiro exercício para o bebê, e é fundamental para o correto desenvolvimento da face e estruturas bucais. A sucção no seio materno promove uma correta e intensa atividade muscular e o bebê executa de 2000 a 3500 movimentos de mandíbula. Ao passo que ao utilizar a mamadeira, estes exercícios não acontecem ou acontecem pela metade.

O bebê apresenta o reflexo da sucção a partir da 32ª semana de gestação e está preparado neurologicamente para o processo da amamentação. O ato da sucção envolve desde a sensibilidade dos lábios do bebê no mamilo da mãe, até o momento da deglutição do leite materno.

Sobre o uso da mamadeira

Vários estudos mostram que crianças que fazem uso de mamadeiras apresentam uma maior propensão a padrões anormais de respiração (respiração bucal) e de deglutição, com interposição anterior da língua e também maior associação com hábitos de sucção de chupeta e dedo.

Muitas mães oferecem mamadeiras e/ou chupetas por dificuldades na prática de amamentação ou por falta de motivação devido a vários fatores, como a vida profissional, outros filhos e até mesmo o tabagismo. Muitas vezes também por falta de conhecimento no que diz respeito à saúde, crescimento e desenvolvimento do seu bebê. Porém, o aleitamento materno, como vimos até aqui, é importantíssimo.

A amamentação no seio proporciona, portanto, uma melhor oclusão, evitando assim, tratamentos ortodônticos longos, com extrações dentárias no futuro. A correta oclusão e o bom posicionamento dentário são imprescindíveis logo na erupção dos dentes de leite para que ocorra também na dentição permanente, assim a criança poderá ter desde cedo um bom desenvolvimento e qualidade de vida.

Toda criança se desenvolve sob a presença e interferência de dois estímulos: características genéticas herdadas dos pais e influências de meio ambiente sobre o organismo do bebê. O tipo de parto, hábitos e modo de alimentação são exemplos de estímulos que atuam no crânio e determinam as respostas de desenvolvimento do sistema mastigatório, respiratório, face, fala e postura corporal.

Portanto, é importante facilitarmos o desenvolvimento do bebê oferecendo a ele os estímulos que lhe proporcionem perfeita função, além de evitarmos ao máximo o uso de mamadeiras e chupetas.